domingo, 25 de maio de 2008

A princesinha de Copacabana



O programa “Um pé de quê?”, apresentado pela global Regina Casé, é veiculado pelo Canal Futura da tv por assinatura. Já há alguns anos, vem divulgando árvores maravilhosas de nossa flora. Um dos episódios foi inteiramente dedicado a uma espécie outrora muito comum na famosa Praia de Copacabana, cartão postal da cidade maravilhosa. Refiro-me à sensacional Eugenia copacabanensis, tema do texto de hoje.

Regina foi ao posto seis, onde funciona a colônia de pescadores Z-13. Propôs a eles substituir um jardim de coníferas e roseiras por espécies nativas, entre elas nossa escolhida. Sugestão aceita, hoje a mudinha plantada cresce feliz da vida, entre outras colegas de restinga também reintroduzidas. Bela iniciativa!

Mas o que sabemos a respeito desta eugênia? Porque é classificada como ameaçada de extinção? Ela produz frutos comestíveis? A árvore é bonita? Como cultivá-la com sucesso? Vamos às respostas...

A goiabinha-de-copacabana (ou cambuijubá-guaçu, como era conhecida pelos índios) foi apresentada à ciência pelo botânico Kiaerskou no ano de 1893. Vegetava nas restingas do então silvestre balneário ao lado de outras mirtáceas deliciosas – pitanga-vermelha (Eugenia uniflora), pitanga-negra-selvagem (E. sulcata), pitangatuba (E. neonitida), pitanga-de-cachorro (Neomitranthes obscura) e jabuticaba-da-praia (E. rotundifolia). Com exceção da primeira, são todas frutas praticamente varridas de nossa memória. Contam os antigos, aqueles que viram currais de vacas em plena Rua Barata Ribeiro, que vez por outra o cambuí-amarelo-grande (tradução para o português) era oferecido por vendedores ambulantes.

Copacabana cresceu. Virou atração turística internacional. Sofreu uma intensa urbanização e viu a extensão de seus areais se reduzir a menos de um terço da original. Depois veio a onda imobiliária dos anos 1950, com um ordenamento (?) urbano que permitia a construção de arranha-céus geminados. Ficou superpopulosa, tão apinhada de pessoas, que se todos descessem de seus apartamentos simultaneamente, não haveria espaço suficiente. E assim a vegetação praiana desapareceu...

Hoje somente sabemos o que ela foi através do exame de exemplares de plantas dessecadas (exsicatas) empilhadas em gavetas de herbários. E também pelo pouco que sobrou das restingas em regiões vizinhas.

Eugenia copacabanensis é uma planta tão destacada que merece a alcunha de “princesinha-de-copacabana”. Para começar, a fruta que ela produz é linda, grande (3-4 cm) e de polpa espessa, amarelo-dourada. Seu formato é arredondado ou piriforme. A semente é redonda, única, parecida com uma bolinha de marfim. Destaca-se facilmente da polpa. O sumo que escorre do fruta quando comprimida na boca é doce, delicioso. Que o diga o procurador e colecionador de frutas catarinense Anestor Mezzomo, por ela apaixonado desde a primeira mordida.

Como se não bastasse, a princesinha pode se orgulhar do título de mais bela arvoreta das praias cariocas. De folhas perenes, copa densa e baixa (4-7 m), toda redondinha. A folhagem adulta é verde-escura, muito brilhante. Sobre este fundo, contrastam folhas jovens avermelhadas, muito vistosas. Sem falar na abundante floração branca, perfumada como a maioria de suas primas. Uma festa para as abelhas melíferas.

De lenta germinação (as plântulas podem levar até quase um ano para emergir), o crescimento das mudas é relativamente rápido quando bem adubadas. Adaptam-se a qualquer tipo de terreno, desde que bem drenado. Preferem a luz solar direta, mas já vi plantas muito bonitas cultivadas à meia-sombra. Por todas estas razões, não deveriam faltar em nenhum jardim. Pena que ainda sejam tão raras...

Forte abraço!

Para ver mais fotos e saber como cuidar da planta, clique no link:
http://www.e-jardim.com/produto_completo.asp?IDProduto=57

6 comentários:

Ana Célia disse...

Oi, meu querido! Mais uma excelente reportagem de sua parte. Pois se a semente é rara e demora até 12m para prosperar, mãos-a-obra! Assim que tiver a muda, publique. Não quero ficar sem esta espécie em meu recanto tropical. E quando frutificar, vou colocar uma bossa nova pra tocar e me fartar com "A Princesinha de Copacabana".
Abraço, Dana.

Eduardo Jardim disse...

Cara Dana,
Obrigado pelo toque de poesia no blog!
Gostaria de informar de que já temos lindas mudas de Eugenia copacabanensis disponíveis para venda.
Basta entrar no site do viveiro (www.e-jardim.com) e digitar o nome da planta na ferramenta de busca do site.
As princesinhas certamente viverão muito felizes em seu recanto tropical.
Forte abraço!

Mimirabolante disse...

Menino.....vc é incrível!!!!Parabéns!!!!
www.mimirabolantes.blogspot.com
abraços e muito sucesso,Monique

Eduardo Jardim disse...

Olá Mimi!
Muito obrigado pelo apoio.
Seu blog também está ótimo!
Abraços

Douglas Carrara disse...

Eduardo, Parabéns pelo excelente trabalho. Resido em Maricá e estudo há vários anos a restinga. Posso lhe assegurar que a Eugenia copacabanensis existe aqui na restinga, proximo a São José e também na ilha Cardosa. Pode-se colher ainda muitas sementes já que a restinga ainda está preservada, por enquanto. Mas existe uma ameaça de um resort espanhol que pretende se instalar aqui. Aí adeus 'princesinha de copacabana'. Mas estamos tentando impedir esse descalabro. Se um dia quiser conhecer a região. Posso ajudar. Um abraço. Prof. Douglas Carrara

Eduardo Jardim disse...

Olá, Prof. Carrara!
Conheço seu trabalho, assim como o de sua filha que estudou as Campomanesia (guabirobeiras) do Estado do Rio de Janeiro. Pelo que soube, parece que o tal resort não foi adiante. Ainda bem. Parabéns pelo excelente trabalho!