

O texto de hoje foi escrito por nosso amigo Antonio Morschbacker, engenheiro químico e grande estudioso das frutas brasileiras. Antonio mantém uma interessante página sobre o assunto, recheada de caprichadas fotos e ótimos artigos. (http://paginas.terra.com.br/educacao/FrutasNativas/).Alguém sabe o que é feijoa?
A primeira resposta, bem humorada, é que ela é a mulher do feijão. Grande engano. A feijoa é uma das melhores frutas nativas do Brasil. É também conhecida como goiaba-serrana ou
Acca sellowiana, seu nome científico. Antigamente era
Feijoa sellowiana, em homenagem a João da Silva Feijó, importante naturalista brasileiro do século XVIII, e que acabou se tornando a denominação pela qual ela é conhecida nos lugares onde é cultivada.
A feijoeira é um arbusto ou pequena arvoreta pertencente à família das Myrtaceae, que inclui espécies tão distintas como o eucalipto, a jabuticaba e algumas pimentas. Hoje ela é rara em seu habitat natural. São duas as principais localidades: a primeira vai da parte meridional do Rio Grande do Sul até o Uruguai. A outra fica nas Serras Gaúcha e Catarinense, na Mata de Araucária. Os exemplares nativos destas duas regiões apresentam algumas características distintas entre si. Por exemplo, as frutas que ocorrem mais ao sul possuem a casca mais lisa e sementes menores.
No final do século XIX, o botânico francês Edouard André levou sementes do Uruguai para o sul da França, de onde a espécie se espalhou pelo mundo. É cultivada hoje em locais bastante distintos como Israel, Itália, Colômbia e Rússia. É explorada comercialmente na Califórnia e na Nova Zelândia, lugares onde foram desenvolvidas as principais variedades hoje comercializadas, todas elas provavelmente originadas das sementes de André.
Na sua região de origem são raros os trabalhos de coleta e seleção de cultivares. O primeiro deles foi realizado por João Rodrigues de Mattos, engenheiro agrônomo da maior importância na pesquisa de espécies nativas, já citado neste espaço no capítulo sobre
Eugenia mattosii. Mattos, entre 1950 e 1975, avaliou 15 variedades de origem uruguaia. Mais recentemente, o Dr. Jean-Pierre Ducroquet, da EPAGRI de São Joaquim (SC), estabeleceu um programa de coleta e seleção de sementes na Serra Catarinense, além da hibridização deste material com as melhores plantas selecionadas na Nova Zelândia. Este trabalho é da maior importância pela introdução de um material genético originado de uma área cujos exemplares foram muito pouco explorados até então.
Aproveitando o seu grande potencial ornamental, é possível encontrar a feijoa na arborização de ruas em cidades do Mediterrâneo, como em Nice. As suas folhas, verde-escuras e brilhosas em cima e verde-prateadas e ligeiramente aveludadas na face inferior, fazem dela uma das mais bonitas espécies da família. As suas flores são muito características e de grande beleza. Os primeiros botões se desenvolvem no final de setembro e o período de floração vai até novembro. Os seus estames e a parte interior de suas pétalas são de uma tonalidade vermelho-carmim intensa. As pétalas são doces e suculentas o que, junto com a coloração viva, atrai um grande número de pássaros, como o sabiá-laranjeira (
Turdus rufiventris) e os sanhaços (
Thraupis sayaca e
T. cyanoptera), que são os seus principais agentes polinizadores.
Mas vocês irão me perguntar - porque comer as pétalas se a fruta é tão saborosa? É porque as frutas nesta época do ano, mal começaram a se desenvolver. Falaremos sobre elas num próximo post.